Arquivo do mês: maio 2017

A PROBLEMATIZAÇÃO DO AMOR

Amar as vezes dói e lidar com a dor é algo muito desnecessário. Ta bom, talvez devêssemos passar por isso pelo menos 1 vez na vida. Mas mesmo assim acho melhor estar com o coração limpo. Assim deve ser mais simples viver. Assim devemos levar uma vida mais light e sem problemas além dos de sempre.
Assim evitamos embrulhos no estômago e angústia chorosa que só serve pra borrar a maquiagem e molhar o travesseiro. E falo nesse tempo verbal, pois não lembro da última vez que meu coração esteve limpo. Sempre tinha lá uma sujeirinha. Um rapaz com nome de pasta de dente que fez o coração acelerar. Um melhor amigo que acabei confundindo a atenção com paixão. Um cara que eu odiava e que do nada passou a ser a salvação para os meus dias de solidão. O rapaz que vi no metrô. Ou aquele que era perfeito para mim, mas eu não era perfeita para ele.
Mas a questão é que quando você se dá conta de que não tem jeito começa a passar na rua e ver casais se beijando e vira o rosto com raiva da felicidade deles. Sim, é errado ter raiva da felicidade alheia, mas não é errado querer ser feliz. Talvez seja errado ficar com raiva de não ter isso. Pode ser infantil também, mas é um sentimento automático e humano. Pode ser também que você rejeite todos os filmes e séries românticas e se concentre no sentimento do Ted ao ser rejeitado pela milésima vez pela Robin em How I Met Your Mother. Ou que volte a tona a sua revolta de o Lucas não ter ficado com a Brooke em One Tree Hill. O que pode vir a ser um ponto negativo se você ainda por cima resolver que se identifica com os personagens.
O problema também é quando o amor se apresenta de forma inconstante e incerta. E é por conta dessa incerteza que pecamos. Sabe aqueles dias de ansiedade que passamos pra saber se conseguimos ou não aquele emprego? Então, sabe essa sensação? Quando a gente gosta de alguém isso triplica. E tem gente que sai comendo tudo que vê na frente. Alguns bebem pra esquecer. E tem pessoas que, como eu, abrem a boca e falam tudo o que sentem na esperança de acertar o coração e a mente da pessoa com uma palavra. E aí que começam as angústias e os embrulhos.
Imaginem 2 mundos diferentes. Imaginem o planeta Terra se relacionando com Plutão. Imaginem um Ursinho Carinhoso tentando se relacionar com o Malvado. Imaginem Donald Trump com a Glória de Modern Family. Imaginem o Jon Snow com a Cersei.
São pessoas totalmente diferentes. São universos diferentes. Educações diferentes. Culturas diferentes. Manias diferentes. Então juntar toda essa bagagem requer muito esforço e significa abrir mão de coisas que as vezes não queríamos.
Percebe a bagunça que tem pra arrumar? Percebe que só vale a pena lutar quando há alguma reciprocidade, pois do contrário você vai ter que trazer tudo de volta e arrumar no lugar?
Amar é uma droga quando se ama sozinho. Amar nem é mais amor quando a gente não se ama. Toda poesia que antes líamos suspirando se transforma em um conto de terror e nos tornamos criancinhas de 5 anos de idade.
Na verdade a gente tem a mania boba de não querer gostar de ninguém nunca mais. Até que acontece de novo. E de novo. E de novo. Até que chegamos ao ponto pessimista inicial do texto. E nada nos tira da cabeça que o melhor é estarmos sozinhos, livre, leves e soltos. E tudo não passa de problematização besta. O amor é o melhor dos sentimentos. Amar nos torna vivos. Ter sentimentos bons por alguém nos tornam melhores e capazes de lutar pelo que acreditamos. Perceba que não tem como lutar contra isso ou controlar. Acontece e pronto. Sem pessimismo. Lance normal. Segue o jogo.

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