Lembranças e Fotografias

Um dia desses estava vendo fotos de uns lugares. Uns daqueles clichês que geralmente todo mundo frequenta. Só que repentinamente lembrei que eu já estive com algumas pessoas nesses locais. E por um instante me peguei nostálgica. Tudo ao redor desapareceu. Todos os meus problemas desapareceram. Todos os ruídos silenciaram e eu caí de cara naquelas fotografias. Só que era uma nostalgia meio traiçoeira. Um sentimento falso de melancolia que eu não sei explicar. É como se por um milésimo de segundo eu tivesse sentido falta de um registro, mas de algo que jamais aconteceu. De uma felicidade que jamais esteve presente naquele lugar enquanto eu estive por lá. Como se eu tivesse alimentado, pela bilionésima vez, uma ilusão resultante de uma carência incompreensível e irritante. Algo que qualquer um poderia olhar e afirmar, com todas as letras, que estou louca por ter fraquejado naquele instante, que deveria ficar alerta para sempre para nunca mais repetir esse devaneio, e que deveria concentrar em coisas mais importantes.

Após esse acontecimento lembrei-me de uma amiga, que sempre dizia que eu era complicada e teimosa que nem uma mula quando empacava numa ideia. E eu realmente continuava intrigada por conta do havia acontecido. Como posso ainda sentir algo, nem que por um milésimo de segundo, olhando uma foto? Por qual motivo essas fotografias tiveram esse poder quase sombrio sobre mim?

Alguns minutos depois descobri que aquilo só era um desejo cravado em minha mente. E por mais que aqueles momentos na realidade fossem cruéis, sempre existiu um anseio disparatado de que tudo fosse diferente.

Foi aí que num outro instante me dei conta de que o tempo passa, as pessoas passam. Os lugares mudam, as pessoas mudam. A saudade é esquecida, as pessoas nos esquecem. Que muita vezes o tempo é descartado, as pessoas nos descartam. Que a felicidade pode ser uma ilusão, as pessoas se iludem. E que nada dura para sempre, mesmo quando a gente insiste dando murros na ponta da mesma faca que já quase cortou o nosso braço.

Mas as fotografias estão aí nos lembrando do que fomos. Do queríamos ser e viver em cada momento. E do que acabamos nos tornando após suposta tragédia de nossas vidas que, de sempre projetadas, quase nunca vividas.

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