Arquivo do mês: julho 2010

Sobre os paralelepípedos

Estava sentado em um paralelepípedo qualquer, de uma rua aí, perto da esquina do tal Zé, pensando, analisando, olhando intensamente. Ao seu redor, as formigas em uma fila ímpar, estavam pretendendo fazer de seu gigantesco pé, seus caminhos. No entanto, o que afligia Pedro, era o que poderia acontecer.
Estava um dia ensolarado e cansativo, e parecia que o fato de ser fumante piorava a situação, não por seus pulmões, e sim pela sensação de prazer relativamente traiçoeira. Digamos que suas emoções estavam conturbadas, confusas e errôneas. Ele pega um livro, e lá estava uma folha dobrada, marcada para que toda vez que aquele sentimento viesse à tona, pudesse se lembrar. Ele lia muitas vezes, a mesma frase, e chegava a conclusões angustiantes.
“Abençoados os corações flexíveis, pois nunca serão partidos”. (Albert Camus)

Pedro sabia que seu coração iria ser partido, sabia que não importava o tamanho da bagagem de 23 anos que carregava; aquilo era iminente, apesar de ser imérito, e seu sofrimento era incomensurável, e era imprescindível que ele fizesse algo. Mas o que fazer? Todos na vida estão sujeitos a isso. O medo de fracassar tomava o tempo dele, suas músicas estavam melhores, uma essência alucinante, sua simpatia estava antipática, sua paciência, no limite. E ele sabia que seu estado melhorava ao escrever, mas se escrevia, estava mal. Ele estava sofrendo por antecipação, não possuía nenhuma namorada!

Os dias passam lentamente, o calor que antes incomodava, dava espaço para o frio. Suas músicas? Continuam bem, obrigada! Sua paciência ele nem exercia, pois não falava com praticamente ninguém no trabalho. Ele se considerava um artista frustrado, trabalhava em uma gráfica, que ficava ao lado do prédio em que morava, foi o máximo que havia conseguido.

Chegou fevereiro, em uma tarde agradável, entrou em seu Opala 74, ligou na estação de sempre, que tocava Blowin’ in The Wind do Bob Dylan. Em alta velocidade, pensativo e tenso, recorda sua infância, e lembra-se de uma tal praça, na qual sempre quando a tristeza e angústia tomavam seus pensamentos, ia pra lá e sentava em qualquer paralelepípedo. Ele rapidamente chegou na praça, olhou ao seu redor, pegou sua mochila, sentou no meio fio, pegou seu cigarro, desfez os caminhos das formigas, e continuou a sofrer com uma coisa que nunca aconteceu. Ele olha para rua e vê sobre os paralelepípedos…

... a graciosidade de um futuro incerto.

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A dica de música já esta aí… Bob Dylan – Blowin’ in The Wind!

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O começo, sonho e música

Olá…
Ultimamente venho procurando inspirações para criar esse pequeno lugar para expor meus pensamentos, e posso dizer que as duas que consegui foram as melhores do mundo, não vou dizer quais foram, e como também não gosto de apresentações, vou avisando, estou começando a postar. Ainda não sei exatamente no que vou me basear para conduzir este blog, se música, política, comida, futebol, televisão, tendências, se vou inventar coisas, ou se simplesmente vou postar o que me vier à cabeça na hora. Porém, para começar vou contar um sonho que tive.

Barão

Pessoas não fazem idéia da complexidade da vida, e Ela menos ainda. Vivia em seu próprio mundinho fechado, em um bairro pequeno com pessoas alienadas, o que esperar do futuro dessa criança
de 7 anos de idade?

Ela

Ela acordou numa madrugada, tinha os olhos puxadinhos, os abriu bem devagar, e se assustou, sempre foi muito medrosa, tinha medo até de atravessar a rua. Levantou-se e foi caminhando até o quarto de sua avó, onde certamente teria o alívio, depois uma noite conturbada. Finalmente conseguiu dormir. No dia seguinte acordou no horário de sempre, comeu seu “pão com poxa”, se arrumou e foi para a tão querida escola que ficava do outro lado da rua, e sempre chegava atrasada. Sua “tia” da escola se chamava Cíntia, suas amigas, que sempre foram muito erradamente selecionadas, viam nEla uma pessoa fácil de se enganar, e o pior é que Ela realmente era a mais ingênua. Se nos dias atuais, alguém pudesse conhecê-la certamente aquela menininha seria uma mulher de poucas amizades, porém amizades verdadeiras. Sempre andando no bando com as meninas mais populares da escola, Ela se sentia muito deslocada, e só tinha uma ou talvez duas meninas que aparentemente pareciam ser uma amizade eterna.
Certo dia, seu colégio estava em obra, então foi transferido para um depósito de bebidas, que ficava um pouco mais distante de sua casa. Ela sempre via suas amigas passarem em uma das ruas e tocarem a campainha de um casarão, porém, parecia que não existia vida lá dentro, e isso intrigava todo mundo. Ela, num dia em um ato heróico, ou num ato de extrema falta de noção, resolveu tocar a campainha, todas saíram correndo, e ela além de tudo era lenta, quando uma mulher loira, com olhos profundos que se parecia com a Cruella Devil, abriu o portão e foi atrás das meninas, Ela olhou para trás, teve a visão ofuscada pelo sol e acabou caindo. A mulher se inclinou para olhar aquela criança, Ela abaixou a cabeça e sentiu a mulher a empurrando, quando ela abriu os olhos, viu que estava sendo acordada por sua avó… Comeu seu pão… Foi para a escola, e viu quando suas amigas tocaram a campainha! Primeira lição a ser aprendida, pensar antes de fazer as coisas. Anos poderiam passar, no entanto, aquele sonho não sairia fácil de sua mente.
** Sonho estranho o meu… rsrsr…
E eu só contei um, mas prometo não ficar contando sonhos, tenho muita coisa pra postar, estou digitando esse e já estou pensando em outros mil. Sempre vou deixar uma dica de música no final, e como já encerrei esse, lá vai a música: Muse – Undisclosed Desires! Tentei por aqui mas não consegui.. :/ beijos